Requisitos Mínimos de VPS para Rodar o Mailcow Self-Hosted
Para rodar o Mailcow em produção sem gargalos, o mínimo realista é um VPS com 6-8GB de RAM e 4 vCPUs, rodando Docker e Docker Compose. A stack completa do Mailcow sobe simultaneamente Postfix (SMTP), Dovecot (IMAP/POP3), Rspamd (antispam), ClamAV (antivírus), SOGo (webmail/calendário) e um banco MySQL, tudo em containers isolados — o ClamAV sozinho consome entre 1GB e 1.5GB de RAM só para carregar as assinaturas de vírus atualizadas. Um VPS de 2GB, comum em planos de entrada, costuma derrubar o ClamAV ou travar o Docker sob qualquer carga real de envio e recebimento.
Na minha experiência gerenciando infraestrutura cloud na Host You Secure, a maioria dos problemas de "Mailcow não entrega email" não vem do software em si, mas de VPS subdimensionado ou de dois requisitos de rede que o Mailcow exige e que muitos provedores genéricos não deixam claros na hora da contratação: DNS reverso e porta 25 de saída.
Configuração de hardware recomendada
- Mínimo viável (uso pessoal/pequena equipe): 6GB RAM, 2-4 vCPUs, 40GB NVMe
- Recomendado (uso corporativo, várias caixas): 8-16GB RAM, 4 vCPUs, 80-120GB NVMe
- Armazenamento: NVMe é fortemente recomendado sobre SSD SATA — o Dovecot indexa e faz busca full-text em disco, e ClamAV grava definições diariamente
- Sistema operacional: Debian ou Ubuntu LTS recentes, com suporte nativo a Docker
Reverse DNS (PTR): o requisito que mais derruba instalações de Mailcow
Diferente de outras aplicações self-hosted, o Mailcow depende de um registro de DNS reverso (PTR) correto, apontando o IP do VPS para o hostname do servidor de email (por exemplo, mail.seudominio.com.br). Esse registro não é configurado no seu provedor de DNS — ele precisa ser configurado no painel do provedor de VPS, associado diretamente ao IP da máquina.
Sem PTR correto, praticamente todo provedor de destino relevante — Gmail, Outlook, Yahoo — rejeita ou filtra suas mensagens como spam, mesmo que SPF, DKIM e DMARC estejam configurados perfeitamente no domínio. É o erro número um em implantações de Mailcow: a instalação termina, o painel funciona, os emails saem do servidor, mas nunca chegam à caixa de entrada do destinatário.
Antes de contratar um VPS para Mailcow, confirme explicitamente com o provedor que é possível configurar PTR customizado para o IP contratado — nem todo VPS barato oferece esse controle.
Porta 25 de Saída: Verifique Antes de Contratar
A porta 25/TCP outbound, usada pelo Postfix para entregar email diretamente a outros servidores SMTP, vem bloqueada por padrão em boa parte dos grandes provedores de nuvem — AWS, Google Cloud, Azure e DigitalOcean em contas novas bloqueiam a porta 25 de saída como medida antispam padrão da indústria.
Isso não impede o Mailcow de funcionar por completo: seu servidor ainda recebe email normalmente (porta 25 de entrada geralmente é liberada) e consegue enviar via relay autenticado nas portas 587/465. Mas para operar como um MTA completo, entregando diretamente a outros servidores, você precisa que a porta 25 de saída esteja liberada ou liberável via processo de whitelist/ticket de suporte junto ao provedor.
Recomendação prática: pergunte ao suporte do provedor de VPS, antes de contratar, se a porta 25 sai liberada por padrão ou exige solicitação — provedores focados em VPS para desenvolvedores e infraestrutura self-hosted costumam liberar por padrão ou mediante verificação simples de conta, diferente das grandes clouds públicas.
Portas e Firewall Necessários para o Mailcow
Além da porta 25, o firewall do VPS precisa permitir todo o conjunto de portas usadas pelos serviços do Mailcow:
- 25/TCP — SMTP (recepção e relay entre servidores)
- 465/TCP e 587/TCP — SMTPS/Submission (envio autenticado de clientes de email)
- 143/TCP e 993/TCP — IMAP e IMAPS
- 110/TCP e 995/TCP — POP3 e POP3S (opcional)
- 4190/TCP — ManageSieve (filtros de email)
- 80/TCP e 443/TCP — Painel web, SOGo (webmail) e emissão de certificados Let's Encrypt
O próprio Docker Compose do Mailcow já expõe essas portas automaticamente; o trabalho fica por conta de garantir que o firewall do provedor (security group, painel de VPS) não esteja bloqueando nenhuma delas.
Checklist Final Antes de Contratar um VPS para Mailcow
- Mínimo 6-8GB RAM e 4 vCPUs (8-16GB para uso corporativo)
- 40-120GB de armazenamento NVMe
- Docker e Docker Compose suportados nativamente
- IP dedicado com PTR configurável pelo provedor
- Porta 25/TCP de saída liberada ou liberável via whitelist simples
- Firewall permitindo as portas 25, 465, 587, 143, 993, 4190, 80 e 443
- Backups automatizados ou snapshots — o Mailcow armazena dados críticos e sensíveis
Com esses requisitos atendidos, a instalação do Mailcow em si é rápida: clonar o repositório oficial, rodar o generate_config.sh, ajustar o hostname e subir com docker compose up -d. O tempo real do projeto vai para a configuração de DNS (SPF, DKIM, DMARC, PTR, MX) e para o aquecimento gradual de reputação do IP nas primeiras semanas de envio.
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