VPS para Mailcow Self-Hosted: Requisitos e Configuração

4 min 2 Email Hosting

Requisitos Mínimos de VPS para Rodar o Mailcow Self-Hosted

Para rodar o Mailcow em produção sem gargalos, o mínimo realista é um VPS com 6-8GB de RAM e 4 vCPUs, rodando Docker e Docker Compose. A stack completa do Mailcow sobe simultaneamente Postfix (SMTP), Dovecot (IMAP/POP3), Rspamd (antispam), ClamAV (antivírus), SOGo (webmail/calendário) e um banco MySQL, tudo em containers isolados — o ClamAV sozinho consome entre 1GB e 1.5GB de RAM só para carregar as assinaturas de vírus atualizadas. Um VPS de 2GB, comum em planos de entrada, costuma derrubar o ClamAV ou travar o Docker sob qualquer carga real de envio e recebimento.

Na minha experiência gerenciando infraestrutura cloud na Host You Secure, a maioria dos problemas de "Mailcow não entrega email" não vem do software em si, mas de VPS subdimensionado ou de dois requisitos de rede que o Mailcow exige e que muitos provedores genéricos não deixam claros na hora da contratação: DNS reverso e porta 25 de saída.

Configuração de hardware recomendada

  • Mínimo viável (uso pessoal/pequena equipe): 6GB RAM, 2-4 vCPUs, 40GB NVMe
  • Recomendado (uso corporativo, várias caixas): 8-16GB RAM, 4 vCPUs, 80-120GB NVMe
  • Armazenamento: NVMe é fortemente recomendado sobre SSD SATA — o Dovecot indexa e faz busca full-text em disco, e ClamAV grava definições diariamente
  • Sistema operacional: Debian ou Ubuntu LTS recentes, com suporte nativo a Docker

Reverse DNS (PTR): o requisito que mais derruba instalações de Mailcow

Diferente de outras aplicações self-hosted, o Mailcow depende de um registro de DNS reverso (PTR) correto, apontando o IP do VPS para o hostname do servidor de email (por exemplo, mail.seudominio.com.br). Esse registro não é configurado no seu provedor de DNS — ele precisa ser configurado no painel do provedor de VPS, associado diretamente ao IP da máquina.

Sem PTR correto, praticamente todo provedor de destino relevante — Gmail, Outlook, Yahoo — rejeita ou filtra suas mensagens como spam, mesmo que SPF, DKIM e DMARC estejam configurados perfeitamente no domínio. É o erro número um em implantações de Mailcow: a instalação termina, o painel funciona, os emails saem do servidor, mas nunca chegam à caixa de entrada do destinatário.

Antes de contratar um VPS para Mailcow, confirme explicitamente com o provedor que é possível configurar PTR customizado para o IP contratado — nem todo VPS barato oferece esse controle.

Porta 25 de Saída: Verifique Antes de Contratar

A porta 25/TCP outbound, usada pelo Postfix para entregar email diretamente a outros servidores SMTP, vem bloqueada por padrão em boa parte dos grandes provedores de nuvem — AWS, Google Cloud, Azure e DigitalOcean em contas novas bloqueiam a porta 25 de saída como medida antispam padrão da indústria.

Isso não impede o Mailcow de funcionar por completo: seu servidor ainda recebe email normalmente (porta 25 de entrada geralmente é liberada) e consegue enviar via relay autenticado nas portas 587/465. Mas para operar como um MTA completo, entregando diretamente a outros servidores, você precisa que a porta 25 de saída esteja liberada ou liberável via processo de whitelist/ticket de suporte junto ao provedor.

Recomendação prática: pergunte ao suporte do provedor de VPS, antes de contratar, se a porta 25 sai liberada por padrão ou exige solicitação — provedores focados em VPS para desenvolvedores e infraestrutura self-hosted costumam liberar por padrão ou mediante verificação simples de conta, diferente das grandes clouds públicas.

Portas e Firewall Necessários para o Mailcow

Além da porta 25, o firewall do VPS precisa permitir todo o conjunto de portas usadas pelos serviços do Mailcow:

  • 25/TCP — SMTP (recepção e relay entre servidores)
  • 465/TCP e 587/TCP — SMTPS/Submission (envio autenticado de clientes de email)
  • 143/TCP e 993/TCP — IMAP e IMAPS
  • 110/TCP e 995/TCP — POP3 e POP3S (opcional)
  • 4190/TCP — ManageSieve (filtros de email)
  • 80/TCP e 443/TCP — Painel web, SOGo (webmail) e emissão de certificados Let's Encrypt

O próprio Docker Compose do Mailcow já expõe essas portas automaticamente; o trabalho fica por conta de garantir que o firewall do provedor (security group, painel de VPS) não esteja bloqueando nenhuma delas.

Checklist Final Antes de Contratar um VPS para Mailcow

  • Mínimo 6-8GB RAM e 4 vCPUs (8-16GB para uso corporativo)
  • 40-120GB de armazenamento NVMe
  • Docker e Docker Compose suportados nativamente
  • IP dedicado com PTR configurável pelo provedor
  • Porta 25/TCP de saída liberada ou liberável via whitelist simples
  • Firewall permitindo as portas 25, 465, 587, 143, 993, 4190, 80 e 443
  • Backups automatizados ou snapshots — o Mailcow armazena dados críticos e sensíveis

Com esses requisitos atendidos, a instalação do Mailcow em si é rápida: clonar o repositório oficial, rodar o generate_config.sh, ajustar o hostname e subir com docker compose up -d. O tempo real do projeto vai para a configuração de DNS (SPF, DKIM, DMARC, PTR, MX) e para o aquecimento gradual de reputação do IP nas primeiras semanas de envio.

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Perguntas Frequentes

No mínimo 6-8GB de RAM para uso em produção. A stack do Mailcow roda Postfix, Dovecot, Rspamd, ClamAV, SOGo e MySQL simultaneamente em containers Docker, e o ClamAV sozinho consome entre 1GB e 1.5GB apenas para carregar as assinaturas de vírus. VPS de 2GB costumam travar sob carga real de envio e recebimento.

O motivo mais comum é a porta 25/TCP de saída bloqueada pelo provedor de VPS — prática padrão em AWS, Google Cloud, Azure e DigitalOcean para contas novas, como medida antispam. Sem essa porta liberada, o Postfix não consegue entregar email diretamente a outros servidores SMTP. Verifique com o suporte do provedor se a porta sai liberada por padrão ou exige solicitação de whitelist.

O PTR é um registro que aponta o IP do seu VPS de volta para o hostname do servidor de email (ex: mail.seudominio.com.br), configurado no painel do provedor de VPS, não no DNS do domínio. Gmail, Outlook e Yahoo usam o PTR como sinal central de confiança: sem ele configurado corretamente, suas mensagens são rejeitadas ou marcadas como spam mesmo com SPF, DKIM e DMARC certos.

Tecnicamente qualquer VPS com Docker roda o Mailcow, mas nem todo provedor permite configurar PTR customizado no IP ou libera a porta 25 de saída — dois requisitos específicos de servidores de email que provedores voltados a hospedagem web genérica costumam ignorar ou bloquear por política antispam padrão.

25 (SMTP), 465 e 587 (SMTPS/Submission para envio autenticado), 143 e 993 (IMAP/IMAPS), 4190 (ManageSieve, filtros), e 80/443 para o painel web, SOGo e emissão de certificados Let's Encrypt. O Docker Compose do Mailcow já expõe essas portas automaticamente — o firewall do provedor é que precisa permiti-las.

Entre 40GB e 80GB de armazenamento NVMe para uso pessoal ou pequena equipe, chegando a 120GB para uso corporativo com muitas caixas. NVMe é recomendado sobre SSD SATA porque o Dovecot faz indexação full-text de mensagens em disco e o ClamAV grava atualizações de definições diariamente.

Sim, um IP dedicado (não compartilhado) é essencial, principalmente porque o PTR reverso é configurado por IP — em um IP compartilhado você não controla nem a reputação nem o registro reverso, ficando exposto a bloqueios causados por outros usuários do mesmo endereço.

Só se o VPS atender aos requisitos mínimos: 6-8GB de RAM, suporte a Docker, PTR configurável e porta 25 liberada ou liberável. VPS barato com 1-2GB de RAM ou sem controle de PTR vai gerar problemas de entregabilidade e instabilidade, tornando a economia inicial mais cara no retrabalho de configuração e reputação de IP.

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